ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NO TEA: ESTIMULANDO A CAPACIDADE MOTORA
5 de dez de 2017
Quando
falamos em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) geralmente associamos ao
distúrbio no desenvolvimento neurológico que impacta nas habilidades de
comunicação (verbal ou não), sociais e comportamentais (atitudes e interesses
repetitivos e restritos).
Entretanto,
um outro aspecto – tão importante quanto os demais – também pode ser
comprometido e merece atenção: a capacidade motora. Esse é um aspecto que vai
além do olhar voltado aos movimentos repetitivos realizados pelos autistas,
como os de braços e pernas.
Trata-se
da análise dos desafios que se apresentam na marcha, na competência postural,
no tônus muscular, na capacidade de planejamento motor, e na realização de
movimentos grossos. Essas preocupações podem variar de gravidade e afetar o
desenvolvimento infantil da criança com TEA, interferindo em sua qualidade de
vida em longo prazo, caso não seja adequadamente tratado.
Estudos
recentes sugerem que os distúrbios do movimento em crianças no espectro
desempenham uma parte fundamental no TEA. Estando presentes desde o nascimento,
podem ser mais uma ferramenta indicadora para ajudar no diagnóstico precoce de
TEA ainda nos primeiros meses de vida.
Diante
dessa perspectiva, faz-se necessária uma intervenção integrativa e
multidisciplinar precoce, que inclui diferentes profissionais como médicos
pediatras, neurologistas, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e entre
outros. Quem deve ser o responsável em manejar as deficiências motoras desta
população é o fisioterapeuta.
Compreendendo
os desafios motores e como o fisioterapeuta poderá ajudar
Habilidades
motoras brutas: as habilidades motoras brutas são definidas como capacidade de
realizar movimentos usando os membros superiores e inferiores (braços, pernas,
tronco e pés). As crianças com autismo, em média, apresentam um atraso nesta
área de desenvolvimento de em média seis meses, em relação àquelas chamadas
“neurotípicas”, ou seja, que estão fora do espectro.
Tônus
Muscular: no caso do tônus muscular, que responde pela flexibilidade do corpo,
as crianças com autismo costumam ser mais enrijecidas, o que pode se tornar um
obstáculo para a realização de movimentos, o que pode ocasionar em problemas de
equilíbrio e quedas frequentes.
Marcha:
já no que diz respeito à marcha, ou seja, a maneira como caminhamos, a criança
com TEA pode apresentar um padrão diferenciado e andarem na ponta dos pés.
Normalmente, este distúrbio começa com uma idade média entre 18 e 24 meses de
vida, quando costumam a aprender a andar. Mas, qual pode ser o problema em
apresentar esse tipo de marcha? Caminhar na ponta dos pés pode diminuir a
resistência física, causar dores e calos, fraqueza muscular nas pernas, entre
outros.
Planejamento
motor: Outro ponto que pode ser considerado nevrálgico para uma criança com TEA
diz respeito ao planejamento de motor, que consiste na capacidade do cérebro em
entender uma ação motora, descobrir como fazê-la e dar ordem aos músculos e as
partes do corpo corretas a executarem essa atividade. Para quem está no
espectro, uma simples tarefa de se movimentar de um lado para o outro de uma
sala, por exemplo, pode ser desafiadora, devido à dificuldade de idealizar e
executar este plano motor. A intervenção deste profissional deve ser projetada
para atender às especificidades de cada pessoa com TEA, organizando o
tratamento de maneira a estimular a reduzir a ansiedade do indivíduo e
encorajá-lo, facilitando o aprendizado motor.
No
caso de restrições motoras grossas, os fisioterapeutas poderão desenvolver
exercícios como jogos funcionais, que possibilitem a criança aprender padrões
de movimento dos membros, de forma a contribuir com o equilíbrio e a
coordenação.
Se
o problema é com a marcha, por exemplo, os fisioterapeutas podem contribuir
ensinando a criança a alongar os músculos encurtados ou a fortalecer os mais
fracos enquanto trabalham na biomecânica geral da marcha – ou seja, na
readequação do padrão do andar. Exercícios de força podem auxiliar no que cabe
à melhora no tônus muscular. O planejamento motor também é uma área que pode
ser aprimorada com treinamento específico e definição de metas com os pais e a
criança.
Os
fisioterapeutas têm experiência em avaliar habilidades motoras e atividades que
envolvam força, coordenação, equilíbrio, controle respiratório, postura e
marcha. Eles se concentram em desenvolver a capacidade de uma criança para que
ela possa participar de ações diárias e rotineiras, como sentar e andar ou
habilidades complexas, como chutar, jogar, pegar. Quando não desenvolvidas, as
competências motoras em crianças com TEA podem afetar a oportunidade de
interações sociais e oportunidades de aprendizado. A fisioterapia poderá
contribuir para que isso não ocorra.
Consulte
um fisioterapeuta se tiver preocupações em qualquer uma das áreas retratadas
neste artigo!
Referências:
Atun-Einy O, Lotan M, Harel Y, Shavit E, Burstein S, Kempner G. Physical Therapy for Young Children Diagnosed with Autism Spectrum Disorders–Clinical Frameworks Model in an Israeli Setting. Frontiers in Pediatrics. 2013;1:19. doi:10.3389/fped.2013.00019. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3860886/> Acessado em 27 de novembro
Atun-Einy O, Lotan M, Harel Y, Shavit E, Burstein S, Kempner G. Physical Therapy for Young Children Diagnosed with Autism Spectrum Disorders–Clinical Frameworks Model in an Israeli Setting. Frontiers in Pediatrics. 2013;1:19. doi:10.3389/fped.2013.00019. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3860886/> Acessado em 27 de novembro
How Can Physiotherapy Help My
Child Who Has Autism? Neurodevelopmental
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Lloyd M, MacDonald M, Lord C.
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international journal of research and practice. 2013;17(2):133-146.
doi:10.1177/1362361311402230.
Disponível em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3188325/ Acessado em 27 de novembro de 2017.
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Physiotherapy for children
with autism. Physiotherapy
New Zealand.
Disponível em http://physiotherapy.org.nz/your-health/blogs/physiotherapy-for-children-with-autism/#.Whv7h0qnE2w Acessado em 27 de novembro de 2017.
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