DESENVOLVENDO
HABILIDADES COM ARTETERAPIA
7 de nov de 2017
Unindo
conceitos de arte e psicologia, a chamada “arteterapia” é uma das linhas
terapêuticas que podem ser aplicadas para auxiliar no processo de
aperfeiçoamento das habilidades de quem tem o Transtorno do Espectro do Autismo
(TEA). De acordo com a American Art Therapy Association (Associação
Americana de Arte Terapia), arteterapia utiliza o processo criativo para
melhorar e aperfeiçoar o bem-estar físico, mental e emocional de indivíduos de
todas as idades.
Este
modelo de assistência pode ser uma alternativa em complemento à tratamentos
considerados tradicionais direcionados ao TEA, como a Análise do Comportamento
Aplicada (ABA), que visa moldar comportamentos através de um sistema de
recompensas e consequências. (leia reportagem sobre ABA aqui)
Por meio
do uso de recursos como desenho, pintura, cerâmica, escultura, fotografia ou
vídeos, a arteterapia pode contribuir para humanizar os cuidados e pode ser um
facilitador para que o autista possa expressar o que sente, pensa e a maneira
com a qual percebe o mundo ao seu redor.
A
arteterapia estimula a imaginação, trabalha a afetividade, ajuda com
habilidades sociais e na conexão com pessoas e, também, na comunicação (verbal
e não verbal). Também pode ser um instrumento para auxiliar a lidar com as
questões sensoriais – tais como sons, luzes, cheiros, texturas – que costumam
ser um aspecto desafiador para quem tem TEA.
A terapia
artística permite transformar estes comportamentos em arte, inclusive aqueles
que podem ser considerados negativos. É o que aconteceu com Grant Manier, que
aprendeu a converter sua compulsividade de rasgar papel em arte. Este hábito
tornou-se a matéria-prima para suas premiadas criações impressionistas e
realistas, feitas à base de colagens e tiras de papel. Outra artista com
autismo expoente é Nicole Appel, que com apenas 26 anos de idade tem um
histórico de exposições de seus desenhos e uma lista de espera de
colecionadores para adquirir seus trabalhos. Sua arte expressa seu cotidiano e
a maneira como percebe as pessoas com quem interage. Em uma entrevista cedida ao portal “Spectrum News.Org”, Nicole explicou de maneira
simples o que significa arte para ela: “Dar desenhos de pessoas os faz felizes;
fazer as pessoas felizes me faz feliz”, disse ela.
Embora
ainda haja poucos estudos na literatura sobre o impacto da arteterapia no
desenvolvimento de quem tem o espectro autista, as pesquisas têm apontado para
inúmeros benefícios no desenvolvimento do autista. Inclusive, um estudo
publicado em julho deste ano na revista Arts in Psychotherapy por
pesquisadores da Universidade Estadual da Flórida procurou acompanhar o
trabalho de arteterapeutas e encontrar a melhor maneira de utilizar este
tratamento em prol de quem tem TEA. O objetivo foi avaliar as técnicas de
abordagem que vem sendo empreendidas e com isso gerar diretrizes para nortear a
prática e estabelecer um consenso entre os profissionais que a aplicam.
Algumas
das melhores abordagens indicadas pela pesquisa foram: utilizar a mesma rotina
para começar cada sessão, explique as instruções de forma simples e
consistente, desperte curiosidade para ensinar novas habilidades e estar atento
às transições entre atividades. Os pesquisadores também delinearam aspectos que
não foram úteis, como utilizar de recursos que possam ser considerados
impositivos e limitantes ao processo criativo do autista. Agora, este estudo
deve servir de base para novas pesquisas mais aprofundadas sobre a arteterapia
a serem conduzida pela equipe da Universidade Estadual da Flórida.
Uma
reflexão do artista e inventor renascentista italiano, Leonardo da Vinci,
talvez possa ser aplicada neste contexto e auxilie a traduzir o valor que a
arte representa como instrumento de desenvolvimento de habilidades em pessoas
com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA): “A arte diz o indizível; exprime o
inexprimível, traduz o intraduzível”.
Referências:
About Art
Therapy. Artherapy.Org. Disponível em https://arttherapy.org/about-art-therapy/ Acessado em 2 de novembro
de 2017.
Florida State University. “Art therapy best
practices for children with autism.” ScienceDaily. ScienceDaily, 20 July 2017.
Disponível em www.sciencedaily.com/releases/2017/07/170720103604.htm. Acessado
em 2 de novembro de 2017.
Melinda
J. Emery. Art Therapy as an Intervention for Autism. Art Therapy Vol. 21, Iss.
3,2004. Disponível em http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/07421656.2004.10129500 Acessado em 3 de novembro
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Rebecca Horne. Artist with autism captures
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News. 16 maio de 2017. Disponível em https://spectrumnews.org/news/artist-autism-captures-personalities-paper/ Acessado em 3 de novembro
de 2017.
The value of art therapy for those on the
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em http://the-art-of-autism.com/the-value-of-art-therapy-for-those-on-the-autism-spectrum/ Acessado em 3 de novembro
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Theresa Van Lith, Jessica Woolhiser
Stallings, Chelsea Elliott Harris. Discovering good practice for art
therapy with children who have Autism Spectrum Disorder: The results of a small
scale survey. The Arts in Psychotherapy, 2017; 54: 78 Disponível em < http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0197455616301113?via%3Dihub> Acessado em 2 de novembro de
2017.
Ways of
Defining Art. Though.com. Disponível em https://www.thoughtco.com/what-is-the-definition-of-art-182707 Acessado em 2 de novembro
de 2017.
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