EPILEPSIA
E AUTISMO: HÁ RELAÇÃO?
16 de nov de 2017
Qual pode
ser a relação que existe entre o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) e a
epilepsia? Se você tem alguém na família no espectro ou tem interesse em saber
informações sobre o transtorno, já deve ter ouvido falar nesse assunto que,
mesmo para a ciência, ainda é considerado complexo. Vamos agora compreender de
que maneira essas condições podem estar integradas, conforme já apontado em
diversos estudos.
Um ponto
em comum que se pode citar é que ambas condições – TEA e epilepsia –
compreendem um transtorno que tem conexão com o cérebro. A epilepsia – que
significa “transtorno convulsivo” por ser marcada por crises convulsivas ou
convulsões recorrentes – é o quarto transtorno neurológico mais comum e afeta
pessoas de todas as idades. Trata-se de uma doença crônica, cuja marca
registrada é a ocorrência de convulsões não provocadas – ou seja, sem uma causa
aparente, como uma queda, baixa de açúcar no sangue e outros. Uma pessoa é
diagnosticada com epilepsia se já teve duas convulsões neste perfil. As
convulsões na epilepsia podem estar relacionadas a uma lesão cerebral ou a uma
tendência familiar, mas muitas vezes a causa é completamente desconhecida.
Quando
falamos em Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é preciso compreender que
também trata-se de um distúrbio neurológico, multifatorial, que pode ter suas
causas ligadas à aspectos genéticos, hereditários e, até mesmo, à fatores
ambientais. Esta condição pode ocasionar desafios sociais, de comunicação
(verbal ou não) e comportamentais.
Desde que
foi utilizado pela primeira vez o termo “autismo” – o que ocorreu próximo do ano 1908, houve uma grande evolução na
ciência e nas ferramentas que a medicina pode lançar mão para diagnosticar e
tratar este indivíduo, possibilitando o desenvolvimento de habilidades para que
ele alcance o máximo de seu potencial intelectual, psicológico e cognitivo,
podendo assim levar uma vida digna e, em sua maioria, com autonomia e
independência para realizar suas atividades ao longo da vida.
Por que a
epilepsia pode estar associada com o TEA?
O estudo
“Fisiopatologia da epilepsia em distúrbios do espectro autista” que como são
condições extremamente heterogêneas, isso torna improvável que um único
mecanismo comum explique a predisposição de convulsões em ambos os distúrbios.
Pesquisas genéticas recentes apontam para numerosas e diversas mutações
genéticas que têm autismo e epilepsia como sequelas. Uma das possíveis explicações
apontada pelos pesquisadores neste artigo indica que tanto a epilepsia quanto o
autismo envolvem uma sincronia anormal de sistemas no cérebro ligados às
sinapses (conexões entre os neurônios).
Embora
seja possível que a epilepsia possa causar autismo, e vice e versa, a visão
científica atual é que existem mecanismos neurológicos compartilhados que
contribuem tanto para o TEA quanto para a epilepsia, conforme aponta a Epilepsy Foundation.
A
convulsão, característica da epilepsia, pode ser considerada a complicação
neurológica mais comum em quem tem TEA. Estima-se que quase um terço das
pessoas com TEA pode apresentar epilepsia. É considerada mais frequente em
crianças menores de 5 anos de idade e adolescentes.
Entre os
fatores de risco para a epilepsia no TEA é possível citar o retardo mental,
comprometimento motor e a idade que se deu o início das convulsões.
Outro
aspecto é que algumas das alterações cerebrais do desenvolvimento associadas ao
autismo também contribuam para convulsões. O diagnóstico de epilepsia em quem
tem TEA pode ser desafiador, visto que pessoas com autismo têm dificuldade em
reconhecer e comunicar seus sintomas.
Entre os
sinais importantes a se notar, destacam-se:
- Mudança no olhar inexplicada
- Estiramento dos músculos
- Movimentos involuntários de membros do corpo
- Também pode haver algum distúrbio do sono,
irritabilidade e agressividade sem explicação e regressão do
desenvolvimento alcançado
O que
pode ser feito?
A
epilepsia associada ao TEA possui o mesmo modelo de gerenciamento de convulsões
em geral. Entre os aspectos indicados pela Epilepsy Foundation temos:
- Avaliação médica com imagem cerebral e EEG
(eletroencefalograma)
- Medicamentos antiepilépticos para tratamento
- A terapia adjuvante não farmacológica pode ser
considerada se os medicamentos não alcançarem a resposta desejada (por
exemplo, dieta cetogênica, estimulo do nervo vago)
- Tome medidas de segurança para evitar engasgos
e sufocamento. Procure manter distantes objetos grandes para evitar
lesões.
Caso seu
filho (a) tenha autismo, lembre-se: nem todas as crianças terão epilepsia. O
importante é compreender o assunto e sempre conversar com o médico e a equipe
de profissionais – preferencialmente também com um neurologista pediátrico –
que o acompanham para se sentir seguro para que, se for necessário, lidar com a
situação.
Referências
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